Era uma terça-feira chuvosa e eu estava voltando para casa, passei pelo mercado e notei uma
menina negra parada em frente à porta. Aparentava idade pré-adolescente e pedia
mantimentos. Há pouco eu havia comprado um pacote de balas azedinhas, e lembrando-me
que não gosto das de laranja e limão, voltei uns passos e dei a ela todas nesses sabores.
Perguntei se tinha almoçado, ela respondeu que não. Perguntei também se já experimentou
essas balinhas, o que ela também negou. Logo avisei que eram ácidas, mas ela disse que
gostou, com um olhar doce de gratidão.

Despedi-me desejando uma boa tarde e segui meu caminho. Fiquei pensando sobre que um
gesto simples, como dividir um pacote de balas e conversar um pouco pode talvez ter feito a
diferença no dia de alguém. Alguém que deve sentir-se invisível aos olhos do mundo.
Já é quase clichê dizer que passamos a maior parte do tempo imersos no trabalho, sempre
com a mente no futuro, ambicionando ter o que realmente não precisamos. Quase sempre
querendo consumir coisas que entulham nossas casas e o planeta de lixo. Penso que há muito
mais felicidade em aprender a apreciar verdadeiramente o que já temos, mesmo que pareça
pouco, com foco no momento presente e exercitando sentir gratidão. A sensação de
segurança e conforto de um lar, um banho morno, uma cama quentinha e comida caseira são
“bens” que passam despercebidos em nosso cotidiano. Para a menina negra do olhar doce que
não tem o essencial, tudo isso é luxo.

O que é pouco? O que é muito? Quanto é suficiente? São questões subjetivas e muito
pessoais. Você pode desejar melhorar seu padrão de vida de maneira ética para usufruir das
coisas boas que o dinheiro pode proporcionar, e não há mal nisso. Mas primeiro, não se
esqueça de aprender a apreciar tudo que já tem. Principalmente, as pessoas com quem
convive. Não deixe que sua mente se fixe apenas naquilo que deseja; que poderá ter no futuro.
E sobretudo, nunca esqueça de sentir empatia pela menina e os outros invisíveis que, em suas
vidas materialmente miseráveis, têm muito a nos ensinar sobre nossas próprias vidas e visões
de mundo.

(Convido você a praticar pelo menos uma ação altruísta essa semana, da forma que quiser
desde que de maneira engajada, exercitando enxergar verdadeiramente quem for ajudado(a).
Convide alguém para tomar um café e conversar, ensine o alfabeto, doe coisas e sobretudo
atenção, seja criativo(a)… Se quiser, espalhe essa corrente do bem e compartilhe conosco
como foi a experiência enviando uma mensagem pelo Instagram @canaldopava).

Com carinho, abraços de paz e luz.
Thaís Vestena Leal
@thaisvleal

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Empatia e Gratidão
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